RBIV11: emissão polêmica

O fundo imobiliário de recebíveis RBIV11 anunciou na data de ontem uma nova emissão. De fato, uma emissão polêmica. 

Nos últimos dois meses o fundo gerido pela gestora Rio Bravo vinha chamando bastante atenção de investidores, devido ao deságio encontrado no mercado secundário. 

Com relação a judicialização nos fundos imobiliários, há poucos meses participei de uma gravação no canal do YouTube do João Ricardo, vale a pena conferir.

A Rio Bravo, como sabemos, passa por um momento complicado no último ano, enfrentando problemas judiciais em dois de seus fundos, o ABCP11 e o RBVA11. Mas, até então, o fundo de crédito estava rodando muito bem. Até que (…).

Mas antes de entrarmos na polêmica emissão, vamos:

  • Conhecer o fundo RBIV11;
  • Entender os dados desta emissão polêmica;
  • Saber como o investidor está sendo prejudicado com ela.

Antes, se você ainda não conhece o curso Expert Fundos de papel, saiba que está perdendo uma grande oportunidade de melhorar o rendimento de sua carteira em até 2% ao ano. 

O fundo RBIV11

Em atividade desde o mês de dezembro de 2019, o RIO BRAVO CRÉDITO IMOBILIÁRIO IV FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO – FII é focado com recebíveis imobiliários high grade, preocupando-se sempre com a qualidade do crédito e do devedor. 

Com aproximadamente R$100 Milhões de patrimônio líquido, o fundo conta com cerca de 2.500 investidores em sua base de cotistas. 

Por ser um fundo ainda pequeno, não temos uma carteira pulverizada, no entanto, observamos uma carteira com bons nomes, garantias firmes, uma duration de 4,29 anos e uma LTV média de 37%.

Fonte: Relatório Gerencial RBIV11

A exposição aos setores da economia e indexadores chamam a atenção. Demais, ainda que se trate de um fundo high grade, 28% da carteira está alocada em CRI’s considerados high yield pela própria gestora. 

Com uma taxa de gestão e administração de 0,8% ao ano sobre o patrimônio líquido do fundo, somada a uma taxa de performance de 20% sobre o que exceder 110% do CDI, o fundo vem surpreendendo com os últimos rendimentos.

Fonte: Relatório Gerencial RBIV11

O Valor Patrimonial da cota hoje é de R$100,50 (cem reais e cinquenta centavos) com base no último informe mensal, sendo o fundo negociado no mercado secundário com um deságio de quase 16%

Assim, a expectativa dos investidores era de que, em um futuro próximo, considerando a entrega que vem sendo realizada, o valor no secundário se aproximasse do valor patrimonial, podendo gerar um excelente ganho de capital para seus cotistas. 

Os dados da emissão polêmica

Conforme fato relevante anunciado na data de ontem, temos uma nova emissão de cotas para o fundo RBIV11. Trata-se de uma oferta restrita (tipo 476), em que o fundo pretende aumentar o seu patrimônio líquido em 34,45%.

Eis os números que devemos ter conhecimento:

  • Data-Base: 09/04/2021;
  • Direito de preferência do dia 14 a 27 de abril com liquidação no dia 28 de abril;
  • Direito de sobras do dia 30 de abril até 05 de maio com liquidação no dia 12 de maio;
  • Valor: R$85,00, sendo apenas R$0,42 referente a taxas.

Desta forma, destacamos dois pontos principais: 1) as taxas da emissão e 2) o valor da emissão.

O investidor que adquiriu as cotas visando ganho de capital não está feliz agora. Fazer o quê?! Nem sempre a gestora tem o mesmo racional do investidor.

Parabéns para a Rio Bravo DTVM que, na qualidade de Coordenador Líder, cobra um valor justo na emissão. Não me recordo de ter visto outra emissão com um valor tão baixo.

DOMU: Controle os seus investimentos

No entanto, com relação ao valor da emissão, abaixo do valor patrimonial, não temos como estar de acordo com o movimento realizado pelo gestor. Afinal, a emissão abaixo do VP prejudica o cotista na maioria das vezes. Vamos entender os motivos. 

Emissão polêmica: a deterioração do valor patrimonial

A emissão abaixo do valor patrimonial prejudica o cotista em sua essência. A conta é simples de entender, vamos a ela.

O fundo RBVI11 possui hoje um total de 1.024.362 cotas, cada uma delas avaliadas em R$100,50, totalizando a quantia de  R$102.948.381,00.

Como o fundo pretende 352.941 novas cotas, somando para o patrimônio do fundo o valor de R$84,58 por cota (já que R$0,42 será utilizado para pagar o custo da emissão).

Assim, se bem sucedida à emissão, o fundo passa a ter 1.377.303 cotas (isso sem considerar o lote adicional) com um valor patrimonial por cota de R$96,42.

Com esse movimento, o cotista que porventura não possa ou não queira participar da emissão terá o seu patrimônio deteriorado. Por sua vez, o cotista que optar por participar da emissão, ainda assim, terá o seu patrimônio deteriorado.

Há quem defenda a emissão abaixo do valor patrimonial. Já que nosso foco é um fundo de recebíveis, vamos analisar o fundamento para emissão abaixo do VP neste caso.

A teoria está baseada na possibilidade do gestor, com o valor captado, conseguir alocar o patrimônio em ativos com maior retorno para o cotista. Fazendo com que o risco/retorno para o cotista melhore. 

Será este o caso?

Impossível saber. Afinal, por se tratar de uma oferta restrita, não há obrigação de apresentar prospecto definitivo com o respectivo estudo de viabilidade, assim como, no relatório gerencial publicado na data de hoje, não temos qualquer informação a respeito da alocação pretendida pelo gestor. 

E aí? Você tem RBIV11 na carteira? Compartilhe sua experiência.

Deixe uma resposta